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Jeremias

Jeremias

O Jeremias viu o seu sonho realizado de 07 a 11/12/2013!

O meu sonho é ir à Lapónia conhecer o Pai Natal!

DIA 1

São 2am e (finalmente!) por aqui ja tudo dorme...

Estes miúdos são especiais. Têm luzinhas num coração bem aceso, e deram sorrisos todo o dia! As viagens de avião foram fabulosas, com o extra da visita ao cockpit... saíram de lá com os olhos a brilhar *.*

Em Helsinquia tivemos a sorte de ter um parque infantil (que adotamos como nosso!), revelamos as missões dos agentes secretos, e demos um "show musical" à malta da Finlândia! Sim, porque de Portugal não vêm só Ronaldos...

Amanhã esperam-nos grandes aventuras: os huskys!

As emoções foram muitas e precisamos descansar, esta viagem ainda mal começou...

DIA 2 -25º C

Quando estás no meio de crianças, é inevitável que não te tornes numa! A criança em ti vem ao de cima, vês-te como um deles, compreendes as atitudes, as brincadeiras e de vez em quando lá te lembras de fazer o papel de má, só para manter algum rigor na coisa. Mas há regras que são para ser quebradas… mandamos os miúdos dormir mas somos as primeiras a ficar na conversa até às tantas a rever as emoções do dia!

Hoje foi o dia dos huskys. Numa quinta com perto de 100 huskys (dos quais 20 são cachorros), 70% têm olhos castanhos, 20% têm olhos azuis e 10% têm um olho de cada cor. Disse a senhora que eles adoram correr e que este tempo é perfeito para eles. Andámos num trenó de madeira puxado por eles e gelamos todos os ossos que tínhamos! Quando saímos o cabelo estava branco com gelo e as pestanas tinham estalaguetites! Fomos a correr para dentro da cabana, sentamos à volta da fogueira e aquecemos os pés no fogo e as mãos num sumo quente! E comemos bolachinhas em forma de coração. Almoçámos na Aldeia do Pai Natal e fizémos a primeira batalha de bolas de neve a seguir. Foi a loucura… nossa e deles! Dá que pensar como algo tão simples e barato (como neve!) dá os maiores sorrisos! Eram gritos, gargalhadas, e corridas.. nem o Alex (o nosso guia) escapou de levar com uma!

Relativizamos muita coisa quando um escorrega de gelo se torna a atração principal dos miúdos e dos graúdos. A loucura é tanto nossa como deles!

Voltar ao challet foi uma alegria para eles! Banho quente para todos e descanso… O jantar foi em casa dos azuis. Esparguete a bolonhesa para todos, pintamos as bandeiras de cada casa e tiramos “a foto do bigode” para apoiar a sensibilização do cancro da próstata. Pela foto é possível perceber a personalidade de cada um… a delicia de cada um…

DIA 3 - 28º C

A magia existe e está nas crianças! Não é o lugar, nem a neve, nem tão pouco nos trenós. É no sorriso delas que preenche cada lugar onde estão, o challet, o autocarro ou o zoo.

Sair de casa é uma logística! Só para ir de challet em challet temos de vestir um segundo par de meias, calças quentes, casaco quente, gorro, cachecol, luvas e botas de neve. Verificar se está tudo “por camadas” e colocar a chave num aparelho à porta de casa que tem um código por dígitos que não foi feito para luvas grossas… Multipliquem isto por 3 crianças e são 45min a 1hora desde o pensar em sair ao fechar a porta!

De manhã chegamos sempre atrasados e somos o pesadelo do rigor dos Finlandeses.

Hoje eles mais pareciam chouriços nos fatos que miúdos na neve! Víamos os olhos e pouco mais… mas não teve preço a excitação deles no zoo. Fizemos equipas de dois e lá fomos a andar até ao urso polar, pelo caminho cantávamos a nossa versão da música dos 7 anões: «Eu vou, Eu vou, ver o Urso Polar eu vou, ta-nã-na-nã-na –nã-na-nã, Eu vou! Eu vou, eu vou… »

Desde linces, a wolverines,  às corujas do Harry Potter foi um zoo de magia. O autocarro foi santo e deu-nos uns minutos de dormida ( e calor!) até casa.

Hoje foi o dia da Festa do Pijama!! Ponto de encontro: casa dos laranjas às 19h30. A noite foi de arromba porque tudo correu ao contrário do planeado! O jantar apareceu: sopa de salmão e salada. Só.

Imaginem uma mesa posta com gomas e bolachas, numa festa de pijama, e dar sopa de peixe como jantar!

E agora? Os finlandeses ao seu rigor, não conhecem o termo “desenrasca”.

SMS de emergência para os verdes e os azuis: “têm sobras do jantar de ontem?” A finlandesa fala com o escritório, que explicam que 0,5L de sopa por cabeça é um bom jantar. Contas feitas temos 8L de sopa no total. E porque é uma sopa com batatas, enche a barriga.

Tínhamos 3 soluções: 1. comer a sopa. 2. escorrer a agua da sopa e fazer uma “salada russa” com as batatas e o salmão, sem mayonese mas com ketchup. E os ovos cozidos do pequeno almoço. 3. correr ao supermercado mais próximo (que fechava às 20h) e comprar 10 pizzas para fazer no forno.

Solução escolhida: 3 havainas, 3 de atum, 1 peperoni, 2 bolonhesa.

Nisto chegam os verdes com ovos cozidos (não tinham mais nada - a não ser fome!)

Os azuis chegaram a seguir: 2 travessas de esparguete, 1 de bolonhesa. Tudo da véspera - logo mais apetitoso – e também porque o  Daniel a refrescou na neve a caminho dos laranjas.

Os laranjas contribiram ainda com 3 pãezinhos, muita salada, groselha concentrada ( só hoje descobrimos que é para diluir) e muita fruta.

Resumindo uma verdadeira ceia de Natal ( tipo roupa velha à portuguesa)

Só nos restava a epopeia de fazer 10 pizzas num forno só!

Seguiu-se uma festa de arromba, de comboios, músicas do panda e Rhianna em versão pop, guerra de almofadas, pipocas, sessão de cinema e lareira acesa.  Sucesso garantido quando seis acampam a dormir no chão da sala. Tugas como somos eles tinham colchões…

P.S. Segundo o guia, hoje não fez muito frio.

DIA 4 -18º C

Segundo o Alex (guia) hoje está calor e podemos dispensar o segundo casaco polar. Portugueses como somos, vestimos os miúdos de igual a ontem.

A estratégia do pequeno-almoço vir às 8am funcionou. Quando o Alex chegou já estava tudo quase pronto e ele ficou surpreendido.  Ao final do dia confessou-me que lhe tiramos do serio com os atrasos, principalmente as crianças. Desabafa o drama que sentiu ao vestir uma delas que pelo meio lhe dizia: “Quero as luvas rosa!” “Hoje não podemos vestir outra coisa?” “Posso levar as botas a condizer?”. Mostrei compreensão perante a frustração dele pois não tem filhos.

Este é o dia mais difícil de escrever. Não sei explicar o que vivemos, porque parte de mim parece que não estava lá, como num filme que se desenrola à nossa frente em camara lenta. Hoje foi o dia do Pai Natal mas vou contar de trás para a frente… acabamos a noite todos sentados na neve, a rir e a brincar. Já não queríamos saber de regras, só queríamos estar ali. Aquele momento de amor, aqueles abraços, aquela perfeição de neve.

Viemos a pé do jantar com o Pai Natal, o cenário da estrada de neve era perfeito e estávamos sozinhos no mundo. A perfeição das coisas não é quando tudo corre bem, mas quando aceitamos as imperfeições com naturalidade! Aquele ponto em que já ouvimos as correrias e as gritarias com amor.

Houve o “antes do Pai Natal” e o “depois do Pai Natal”. Antes do Pai Natal, estávamos todos tensos. O stress de ajudar os gnomos a apanhar presentes na neve para salvar o natal, deixa qualquer um à beira de um ataque de nervos!

Depois do Pai Natal, não houve barreiras. Não houve defesas.

Todos os miúdos se renderam, mesmo os mais céticos. E nós também… foi impossível não chorar. Os miúdos cantaram uma música da rihanna ao Pai Natal e fez-se o silêncio. A emoção veio ao de cima, o tempo parou. Não temos muitas fotos, nem temos muitos vídeos, porque realmente parámos e vivemos o momento. Não pensámos em fotografar, só queríamos estar ali.

O segundo momento ultra-mágico foi quando ele os chama, um por um, com um presente. A humildade deles ao receberem uma rena de peluche. Havia crianças que nunca tiveram natal, quanto mais um presente. Percebem porque é difícil escrever?

DIA 5 -10ºC

Parecemos uma comunidade emigrante de tugas.

À vinda sentámos no chão do aeroporto de Rovaniemi a fazer tempo para o embarque. Enquanto esperávamos deu-nos a fome e petiscamos os ovos cozidos que sobraram do pequeno-almoço. Não somos porcos e descascámos tudo num saquinho de plástico…

Também partilhamos uvas, gomos de laranja, e carregamos o portátil na tomada.

O Gate 2 está cheio de finlandeses e todos olham para nós.

No momento do embarque uma fila gigante (e ordenada!) forma-se à frente da porta, todos preparados para entrar. O espanto deles quando lá do fundo chamo em bom português: "Bora malta! Somos os primeiros a embarcar!".

Testámos a paciência deles quando 3 adultos ainda ficaram para trás a procura de algo no chão…

Fizemos uma festa quando vimos a TAP J mais uma vez, eles ultrapassaram o espetacular e fomos muito bem recebidos! A viagem foi feita por meio de lágrimas e abraços, e as saudades começaram a bater. Foi aqui que começou a cair em nós a magia do que tínhamos vivido, com um grupo que não se conhecia mas que já era uma família. É destas surpresas que a vida nos espera… nunca sabemos com quem vamos cruzar, como vamos cruzar, nem o que vamos viver. Só temos de amar o que nos vai acontecendo e acreditar. É isto que eles me deram… relembrar que amamos as coisas simples, aquelas puras e sem máscaras. E que ao final do dia, somos crianças.

 

Diário da viagem escrito pela Voluntária líder de excursão - Xana